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Acontecimentos do ano 1933


1933

1 de janeiro

Venda de carros Austin Seven em Portugal

O Jornal O Século de 1 de Janeiro de 1933, traz um anúncio de venda de carros Austin seven, disponibilizando, a partir de 16 500$00 (82,50 €) quatro modelos de carroçaria. No mesmo anúncio, para pessoas de posses mais elevadas, era também oferecido, a partir de 82 000$00, (410,00 €) o Austin Twenty, disponível com dois modelos de carroçaria.

Fonte: O Século 18250, de 01/01/1933, p. 8

Em 1933, apenas um reduzido número de portugueses teria posses para adquirir uma viatura Austin Seven, produzida, de 1922 a 1939, pela companhia britânica Austin Motor.

2 de março

Brasil: os jornais portugueses passam a ser censurados «a bem das relações luso-brasileiras»

A 2 de março de 1933, o chefe da Polícia Central do Rio de Janeiro, que tinha a seu cargo o serviço de censura à Imprensa, comunica que passaria a censurar os jornais portugueses que se editavam no Brasil. Esta determinação ocorrera, segundo afirma, «por sua própria iniciativa e sem que qualquer entidade estranha às suas funções lhe lembrasse ou insinuasse os seus direitos ou deveres de cortesia neste assunto».

Fonte: Diário da Manhã nº 587, de 03-03-1933, 2º ano de publicação, p. 5

A 29 de julho de 1926, o Estado Novo havia estabelecido a censura prévia em Portugal. Porém, os jornais portugueses que se publicavam no Brasil não estavam sujeitos a esta determinação, pelo que aproveitavam para inserir artigos críticos em relação à governação de Salazar. É, pois, muito provável que a censura prévia imposta pelo chefe da polícia do Rio de Janeiro tenha sido “sugerida” pelo governo de Portugal.

6 de março

Miséria em Lisboa: vão ser albergados 700 mendigos na quinta da Mitra

Decorria o ano de 1933. Centenas de mendigos calcorreiam as ruas de Lisboa. A 6 de março, cerca de 60 mendigos são albergados na quinta da Mitra, no Poço Bispo, em pavilhões de cimento armado. Cada um tem à sua disposição uma tarimba de madeira com colchão e um banco para descansar durante o dia. Segundo o comandante da Polícia de Segurança, coronel Lopes Mateus, os mendigos seriam primeiramente despiolhados e limpos na esquadra do Caminho Novo. O «depósito de mendigos», nome atribuído por aquele militar a estas instalações, albergará, em breve, 700 pessoas. «Já consegui – afirma – um rendimento mensal de 130 contos, de cotas pagas pelos particulares, com o fim de auxiliar a extinção da mendicidade. Ser eu fosse a distribuir subsídios, não poderia dar a cada mendigo senão uma quantia insignificante que, pela sua insuficiência, não evitaria que continuassem a pedir esmola».

Fonte: Diário de Lisboa nº 3703, de 6 de março de 1933, 12º ano de publicação, p.5

Este «depósito de mendigos» não resolveu os problemas da pobreza extrema. Serviu apenas para afastar das ruas da cidade uma parte dos desprotegidos da sorte, muitos deles ali conduzidos sob coação. Durante muitos anos, a Mitra foi, para os lisboetas, sinónimo de um lugar miserável.