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Acontecimentos do ano 1964


1964

31 de Janeiro

Estreia no Condes o filme português Aqui Há Fantasmas

A 31 de janeiro de 1964, estreia, no cinema Condes, o filme português Aqui há fantasmas, baseado numa farsa em dois atos da autoria de Jorge de Sousa, pseudónimo de Henrique Santana. Numa altura em que em Portugal já se rodavam filmes a cores, o anúncio a esta película, inserido no Diário Popular de 31 de janeiro de 1964, ironizava, dizendo que o filme tinha sido produzido a duas cores: a preto e branco! Participaram nesta película, entre outros, Henrique Santana, Carmen Mendes, Humberto Madeira, António Silva, Ribeirinho e Eugénio Salvador.

Fonte: Diário Popular nº 7651, de 31-01-1964, 22º ano de publicação, p. 5

SINOPSE: Consta que uma casa senhorial está assombrada. Então, o Professor Hermes decide fazer uma experiência em que anda a magicar há muito tempo: testar a pílula da coragem. Escolhe um pobre diabo, o Chichas, para cobaia, e promete-lhe 150 contos em troca de ele passar lá a noite. Leva o Chichas e uma enfermeira para a casa assombrada e pede a um colega que se disfarce de fantasma para assustar o homem. Só que há outros fantasmas lá em casa.

In Site da RTP

Diversos grupos de teatro têm representado esta comédia de Henrique Santana. Na imagem, apresentamos o cartaz da encenação levada a cabo pelo Teatro Fundo de Cena. Em 1985, uma versão televisiva desta peça, dirigida por Pedro Martins e encenada pelo próprio autor, foi transmitida pela RTP.

2 de fevereiro

É posto à venda o 1º volume da Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura da Verbo

A 2 de fevereiro de 1964, é posto à venda o 1º volume da Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura da Verbo.

Fonte: Anúncio da Editorial Verbo, Diário Popular de 02-02-1964, 22º ano de publicação, p. 11

A preparação e início da publicação em fascículos, a princípio mensais, da Enciclopédia Luso-brasileira de Cultura decorreu entre os anos de 1961 a 1963, passando, a partir de 1964, a publicar-se a um ritmo de um volume anual, até perfazer os 18 volumes que, inicialmente, a constituíram. A capa, na imagem, é da autoria do designer gráfico Sebastião Rodrigues.

Fonte: Editorial Verbo: algumas datas da sua história

2 de fevereiro

Ranger 6 atinge solo lunar

A 2 de fevereiro de 1964, o Ranger 6 atinge o solo lunar, num dos extremos do Mar da Tranquilidade. A NASA havia lançado este veículo exploratório de Cabo Canaveral, a 30 de janeiro, utilizando o foguete Atlas-Agena B. Primeiramente esteve em órbita geoestacionária terrestre e, posteriormente, alcançou a órbita lunar. A administração espacial norte-americana pretendia obter imagens do solo lunar, mas, infelizmente, as câmaras de TV não funcionaram. «Tudo indica que não conseguimos captar qualquer imagem – disse um informador da NASA – o que é um fim triste para uma experiência que estava a decorrer tão bem».

Fonte: Diário Popular 7653, de 02-02-1964, 22º ano de publicação, pp. 1 e 11

7 de fevereiro

Cuba corta o abastecimento de água à base norte-americana de Guantánamo 1

A 7 de fevereiro de 1964, enquanto o presidente Lindley Johnson convoca uma reunião com os seus principais conselheiros políticos e militares, a fim de estudar a situação criada com o corte de abastecimento de água à base norte-americana de Guantánamo, Fidel de Castro afirma estar pronto a enfrentar uma intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba.

Fonte 1: Diário Popular n.º 7658, de 07-02-1964, 22.º ano de publicação, pp. 1 e 9
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 14780, de 07-02-1964, 43.º ano de publicação, p. 16

1 Em 1903, os Estados Unidos assinaram com Cuba um contrato de arrendamento de 116 km² de terra e água na baía de Guantánamo, pelo período de tempo que aqueles considerassem necessário, a fim de estabelecer naquele espaço estações carvoeiras ou navais. O artigo III daquele contrato diz que, embora os Estados Unidos reconheçam a soberania definitiva da República de Cuba sobre Guantánamo, esta consente que, durante o período em que os Estados Unidos ocupem aquele espaço, exerçam nele completo domínio e jurisdição. Fidel de Castro procurou, sem sucesso, desfazer esta concessão, nunca tendo utilizado os 4 085 dólares estipulados por este contrato, que vêm sendo pagos anualmente pelos Estados Unidos. Depois do corte de água a Guantánamo, os Estados Unidos passaram a importar aquele líquido da Jamaica e construíram estações de Dessalinização.

10 de fevereiro

Inauguração de uma fábrica de montagem de camiões no Tramagal

A 10 de fevereiro de 1964, é inaugurada, com a presença do Chefe de Estado, contra-almirante Américo Tomás, uma fábrica de montagem de camiões Berliet, integrada no conjunto industrial da Metalúrgica Duarte Ferreira.

Fonte 1: Diário Popular n.º 7661, de 10-02-1964, 22.º ano de publicação, pp. 1 e 12
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 14783, de 10-02-1964, 43.º ano de publicação, pp. 1 e 7

O Decreto n.º 45 463, de 18-12-1963, havia aprovado as Bases para a instalação, em Portugal, da indústria de montagem de veículos automóveis, com o intuito de desenvolver economicamente o País, reduzindo o escoamento de divisas para o estrangeiro e dando emprego à mão-de-obra nacional. Em 1963, haviam sido gastos dois milhões de contos com a aquisição, no estrangeiro, de veículos motorizados. A Metalúrgica Duarte Ferreira dá um passo importante no nosso desenvolvimento industrial ao criar esta fábrica de montagem de camiões Berliet. Saliente-se, no entanto, que a notícia do jornal não indicava que os veículos Berliet se destinavam a fins militares e que, para construir esta linha de montagem, foi necessário abandonar a produção de máquinas e alfaias agrícolas, tão necessárias ao País. O Estado Novo irá receber, durante 10 anos, cerca de 3 300 viaturas Berliet, a maioria das quais destinadas a missões militares nas Colónias.

Com o fim da Guerra Colonial, deixaram de ser necessárias mais viaturas militares. A metalúrgica Duarte Ferreira não conseguiu diversificar a sua produção para outro tipo de veículos que lhe trouxessem uma nova carteira de clientes, conduzindo-a a uma grave situação económica e financeira. Em 1994, os bens da Metalúrgica Duarte Ferreira são vendidos e, no ano seguinte, a empresa, que chegou a ter ao serviço 2300 funcionários, é extinta.

13 de março

Sylvie Vartan, ídolo da música pop francesa, vem atuar a Portugal

A 13 de março de 1964, milhares de jovens aguardam, em Lisboa, junto à entrada do Teatro Monumental, a chegada da cançonetista pop francesa Sylvie Vartan, na altura com 19 anos de idade. A sessão das 18:30 está esgotada. Centenas de rapazes e raparigas procuram obter, a todo o custo, bilhetes para a sessão das 21:30 ou para as duas sessões do dia seguinte, a fim de poder ouvir Sylvie cantar, entre outras, a canção Si je chante. Este espetáculo, apresentado por Henrique Mendes, conta com a presença da orquestra francesa de Eddie Vartan, Paula Ribas, Victor Gomes com os seus Gatos Negros e Les Fanatic’s. A 15 de março, seria a vez dos jovens do norte verem ao vivo Sylvie Vartan no Pavilhão dos Desportos. Para além dos artistas que atuaram em Lisboa, o espetáculo do Porto contou ainda com a presença de Armindo Costa, na altura mais conhecido por Armindo Rock, acompanhado por Os Tártaros. Vasco Morgado, organizador desta série de espetáculos integrados no Festival de Ritmos Modernos, pagou a Sylvie Vartan 300 contos por esta sua tournée de 3 dias. Na altura, poder-se-ia comprar com este valor, por exemplo, seis excelentes carros novos de boa qualidade.

Fonte 1: Diário Popular nº 7692 de 13-03-1964, 22º ano de publicação, anúncio, p. 6
Fonte 2: Diário Popular nº 7693 de 14-03-1964, 22º ano de publicação, p. 7

Sylvie Vartan nasce a 15 de Agosto de 1944, em Iskrets, uma localidade perto de Sofia. Filha de pai búlgaro e de mãe descendente de húngaros, vai viver, em 1952, para França, na companhia dos progenitores e do seu irmão, o músico Eddie Vartan. Incentivada por este, grava, em 1961, o primeiro disco como cançonetista e, três anos mais tarde, participa no filme Patate, iniciando, também, uma carreira como atriz. Em 1965, casa com o cantor pop francês Johnny Hallyday, de quem de divorcia em 1980 para se consorciar, em segundas núpcias, com o empresário discográfico norte-americano Tony Scotti. Atualmente, apesar de fazer este ano 73 anos de idade, Sylvie Vartan continua a encher o Olympia de Paris. Embora ao longo da sua carreira tenha vindo a interpretar novas canções, as preferidas do público continuam a ser as mais antigas, escutadas nostalgicamente por quem era jovem há 50 anos.