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Acontecimentos do ano 1967


1967

24 de janeiro

Rio de Janeiro e São Paulo sofrem os efeitos de contínuos temporais

A 24 de janeiro de 1967, é votada, no Brasil, sob pressão dos militares, a sexta constituição daquele país, tentando institucionalizar e legalizar o regime militar resultante da Revolução de 1964. No mesmo dia, vastas regiões do Rio de janeiro e de São Paulo encontravam-se sem energia elétrica devido às chuvas torrenciais que haviam caído nos últimos 4 dias, com especial incidência na noite anterior, provocando um rasto de destruição. Automóveis e pessoas tinham sido arrastados como pedaços de papel pelas águas em fúria. No dia seguinte, calculava-se que, entre mortos e desaparecidos, o número de vítimas rondaria os 700.

Fonte 1: Diário Popular nº 8719, de 24-01-1967, 25º ano de publicação, pp. 1 e 16
Fonte 2: Diário Popular nº 8720, de 25-01-1967, 25º ano de publicação, pp. 1 e 16
Fonte 3: Diário Popular nº 8721, de 26-01-1967, 25º ano de publicação, p. 1

25 de janeiro

Morte de D. Sebastião Soares de Resende, Bispo da Beira      Nasceu a 14 de Junho de 1906

A 25 de janeiro de 1967, morre, vitimado por doença cancerosa, D. Sebastião Soares de Resende, Bispo da Beira. Foi um acérrimo defensor dos direitos humanos.

Fonte 1: Diário Popular n.º 8720, de 25-01-1967, 25.º ano de publicação, p. 1 e 8
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 15842, de 25-01-1967, 46.º ano de publicação, p. 1 e 16

Em 1944, recém-chegado de Moçambique, D. Sebastião Soares de Resende teve a coragem de denunciar que, nas roças do algodão da região da Beira, havia trabalhadores numa situação de escravatura, obrigados a laborar debaixo de pancadaria. Quando participou, em Roma, no Concílio Vaticano II, condenou, nas suas intervenções, as ditaduras e o colonialismo.

30 de janeiro

Moda pop: a minissaia chega a Lisboa

O Diário Popular de 30 de janeiro de 1967 traz, na 1ª página, uma fotografia da loja Contraste, na Rua da Vitória, em Lisboa, onde todas as empregadas vestem minissaia. «É, sem sombra de dúvida, um dos estabelecimentos mais invulgares da capital», afirma aquele jornal, acrescentando que «oitenta ou noventa por cento [da clientela] são jovens dos 14 aos 19 anos, de ambos os sexos, à procura de umas calças roxas ou de uma saia constelada de ferragens metálicas… Quanto às empregadas, a gerência entendeu, muito judiciosamente, que não deveriam destoar da freguesia: ei-las portanto, todas muito novas, muito esguias, muito sorridentes, de calças ou de minissaias (sim, de minissaias!)». O jornal conclui a reportagem afirmando que estas empregadas se inserem autenticamente no mundo pop

Fonte: Diário Popular nº 8725, de 30-01-1967, 25º ano de publicação, pp. 1 e 8

O mundo pop era, na sua essência, um sistema de valores que criava uma certa empatia entre o público juvenil, envolvendo, na sua génese, uma musicalidade sem um ritmo específico, espetáculos no palco e uma moda visual caracterizada pelo uso de minissaias, camisolas finas de gola alta, jaquetões imitando velhos dólmanes da Marinha e calças em boca-de-sino.