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Aconteceu a 18 de janeiro de 1367



Morte de D. Pedro I de Portugal

D. Pedro I de Portugal morre, em Estremoz, a 18 de janeiro de 1367. Era filho do rei Afonso IV e de sua esposa, Dona Beatriz de Castela.

Como rei, D. Pedro foi um bom administrador, tendo defendido o país da influência papal através do Beneplácito Régio, que consignava que as determinações da Igreja Católica destinadas ao clero e fiéis católicos, para terem validade no território de Portugal e, posteriormente, no Brasil, deveriam receber a aprovação expressa do monarca.

Foi justo na defesa das camadas menos favorecidas da população, embora aplicasse a justiça de uma forma que hoje consideraríamos brutal, sem permitir o recurso a advogados por parte dos presumíveis culpados, o que deu origem a protestos nas cortes de 1361.

A nobreza temia-o mas o povo adorava-o porque tinha por costume estar presente nos festejos populares.

Na política externa, D. Pedro ajudou o seu sobrinho, o rei de Castela, na guerra contra o seu meio-irmão.

Enquanto príncipe, viveu uma das mais belas e trágicas histórias de amor em Portugal.

Como sucedia com a maioria dos príncipes herdeiros, a sua esposa não era escolhida pelo próprio mas sim pelos conselheiros do monarca, de acordo com os interesses do Reino. Para esposa de Dom Pedro é escolhida D. Constança, pertencente à nobreza de Castela.

Quando D. Constança acompanhada das suas aias chega a Portugal, uma dama se destaca entre todas elas pela sua beleza: a galega Inês de Castro. D. Pedro imediatamente se apaixona, esperando secretamente que fosse ela a sua futura mulher. Infelizmente, tal não sucede e Dom Pedro tem de casar com D. Constança por quem não nutria especial afeição.

Inês também se apaixona por Dom Pedro mal o vê e, a partir daquele momento, um grande amor surge entre ambos. D. Pedro nunca a vê como amante mas sim como sua verdadeira esposa. Encontram-se às escondidas nas margens do rio Mondego e ficam largas horas juntos, escorrendo lágrimas pelos olhos de ambos já que aquele amor é proibido e mal visto por todo o Reino.

Quando Dona Constança morre de parto, o herdeiro da Coroa pretende consolidar o seu romance, casando-se com Inês, de quem, entretanto, já tivera, segundo a tradição, quatro filhos.

A influência que os irmãos de Dona Inês de Castro pareciam ter sobre Pedro e o perigo dos descendentes bastardos do casal tomarem o lugar do herdeiro legítimo, filho de Dom Pedro e da falecida Dona Constança, começa a assustar o Rei.

Para por cobro a este dilema, D. Afonso IV manda executar Inês de Castro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, a 7 de janeiro de 1355, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pero Coelho. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a «linda Inês» se encontra «posta em sossego» e matam-na.

Camões imortaliza, n'Os Lusíadas, os amores de Inês e D. Pedro, na estrofe CXX do Canto III:

A 18 de Junho de 1360, D. Pedro faz a declaração solene de que casara com D. Inês, num dia de 1354, para legitimar os filhos que tiveram em comum.

D. Pedro e D. Inês repousam hoje em dois túmulos colocados frente a frente no Mosteiro de Alcobaça, aguardando que, no dia do Juízo Final, possam retomar este grande amor.