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EFEMÉRIDES

Aconteceu a 19 de fevereiro de 1445



Leonor de Aragão, Rainha de Portugal

Quando alguém fala sobre a Rainha Dona Leonor, vem logo à nossa memória a esposa de D. João II, fundadora das Misericórdias.

No entanto, em Portugal, houve outras três rainhas com o mesmo nome: a esposa de D. Fernando (A Aleivosa), a esposa de D. Duarte e a terceira esposa de D. Manuel I. É sobre a esposa de D. Duarte, Leonor de Aragão, que nos iremos debruçar neste breve artigo.

Leonor de Aragão nasce a 2 de maio de 1402.

Era filha do rei aragonês Fernando I e de sua esposa, Leonor Urraca de Castela, condessa de Albuquerque.

Pelo lado materno, era bisneta de D. Pedro de Portugal e D. Inês de Castro e, pelo lado paterno, era neta de D. João I de Castela e de Leonor de Aragão.

Dois dos seus sete irmãos, Afonso V e João II, foram reis de Aragão.

Sobre a sua infância, não existe nenhuma informação relevante para além do facto do rei Afonso V de Aragão ter tratado do casamento da sua irmã com o infante D. Duarte, filho herdeiro de D. João I de Portugal, com o intuito de estabelecer uma sólida aliança com este este reino peninsular.

Através deste enlace, D. Leonor recebe, como dote, 30 florins de ouro de Aragão e, por hipoteca, Santarém, com todos os seus rendimentos. São-lhe, ainda, atribuídas, por doação, Alvaiázere, Sintra e Torres Vedras.

Em 1433, com a ascensão ao trono de D. Duarte, torna-se rainha consorte de Portugal.

Cinco anos mais tarde, ocorre o falecimento de D. Duarte. Este havia deixado consignado no seu testamento que D. Leonor deveria assumir a regência do reino até o seu sucessor, D. Afonso V, perfazer 14 anos.

As Cortes de Torres Novas de 1438 tentam contrariar o testamento de D. Duarte, alegando que o reino não poderia ficar a cargo de D. Leonor, pois esta, para além de ser estrangeira, poderia contribuir, na sua qualidade de mulher, para um crescimento fraco e efeminado do futuro soberano.

Perante a insatisfação com que era vista pelas Cortes, D. Leonor, aceita partilhar o poder real com o cunhado D. Pedro. Este passa a cuidar da criação dos filhos de D. Duarte, incluindo o futuro soberano, e fica encarregado do governo e administração da Fazenda Real. D. Leonor responsabiliza-se pelo regimento da justiça.

Perante a pouca eficácia deste governo partilhado, as Cortes de Lisboa de 1439, entregam a regência de Portugal apenas ao infante D. Pedro.

D. Leonor tenta opor-se, sem êxito, a este afastamento e solicita o apoio dos seus irmãos aragoneses. Estes limitam-se a enviar uma embaixada a Portugal, exigindo que fossem cumpridas as determinações das Cortes de Lisboa de 1438.

D. Leonor abandona a sua residência em Sintra e passa a viver em Almeirim, deixando o D. Pedro muito irritado.

Em 1440, recendo ser morta pelo cunhado, refugia-se com a sua filha Joana, ainda em período de amamentação, no castelo de Amieira, pertença do prior do Crato, um seu apoiante, levando consigo as joias que lhe restavam.

De Lisboa parte uma força militar comandada por D. Álvaro Vaz de Almada, com o intuito de tomar o castelo de Amieira.

A D. Leonor apenas lhe resta refugiar-se em Castela, reino de onde eram oriundos os seus avós paternos.

A 19 de fevereiro de 1445, após ter ingerido, em Toledo, uma tisana, sente-se muito indisposta, acabando por morrer ao fim de uma hora, com o corpo repleto de manchas, o que indicia ter sido vítima de um ato premeditado pelos seus inimigos.

Após a sua morte, Os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro da Batalha, onde jaz ao lado do marido.

D. Leonor teve 9 filhos com D. Duarte.

Para além de D. Afonso V (1432-1481), sucessor do pai no trono de Portugal, chegaram à idade adulta os seguintes descendentes:

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D. Afonso V, Rei de Portugal

D. Joana de Avis, Rainha de Castela

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