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EFEMÉRIDES

Aconteceu a 21 de fevereiro de 1397



Nascimento de Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha

A princesa Isabel de Portugal nasce, em Évora, a 21 de fevereiro de 1397.

Era filha do rei D. João I de Portugal e de sua esposa, D. Filipa de Lencastre.

Fez parte da Ínclita Geração, considerada, na altura, a mais culta da Europa, constituída, além dela, por D. Henrique (O Navegador), D. Pedro (Duque de Coimbra), D. Duarte (Rei de Portugal), D. João (Mestre da Ordem de Santiago) e D. Fernando (O Infante Santo). Apenas referenciámos os irmãos que atingiram a idade adulta.

Durante a sua juventude, vive em Lisboa. Após a morte da mãe, recebe os seus bens, passando a residir, igualmente, no Palácio de Sintra.

Para além de executar na perfeição bordados e tapeçarias, qualidades atribuídas a muitas outras princesas da época, falava e escrevia diversas línguas, tendo traduzido para português poemas redigidos em alemão e francês e, também, romances de cavalaria.

Filipe III, Duque da Borgonha, ao ficar viúvo da sua segunda mulher, Bona de Artois, mostra interesse em se casar com D. Isabel. Para o efeito, Jehan, senhor de Roubaix, pede a mão da princesa portuguesa em nome do duque.

Antes de se casar, o Duque da Borgonha, também conhecido por Filipe o Bom, envia a Portugal uma embaixada da qual fazia parte o pintor Jan van Eyck, que fica encarregado de pintar o retrato da princesa portuguesa.

Utilizámos parcialmente a pintura então realizada por aquele pintor flamengo para compor a imagem que acompanha este artigo, à qual acrescentámos o brasão da Dinastia de Avis e o brasão do Duque.

A 29 de julho de 1429, realiza-se em Lisboa, por procuração, o casamento entre a princesa portuguesa e o Duque da Borgonha.

Por via marítima, deixa definitivamente Portugal a 19 de outubro de 1429, tendo sido acompanhada por cerca de 2 000 portugueses distribuídos por uma frota constituída por 25 navios.

A viagem até à Flandres dura onze semanas, tendo ocorrido, durante o percurso, terríveis tempestades que levam à perda de vários navios. A princesa fica sem as suas bagagens, reduzida ao vestido que levava no corpo.

A frota chega a L’Écluse a 25 de dezembro de 1429, tendo o casamento sido ratificado a 10 de janeiro do ano seguinte. Isabel tinha, na altura, 32 anos de idade e o marido mais um ano.

Em homenagem à sua esposa, Filipe III decide criar a ordem de cavalaria do Tosão de Ouro, tendo por divisa: «Antre n'array Dame Isabeau Tante que vivray» (não terei outra enquanto viver a dama Isabel). Infelizmente, não conseguirá cumprir a sua promessa. Um dos primeiros cavaleiros a receber o Tosão de Ouro foi o anteriormente citado Jehan, senhor de Roubaix.

Isabel estava habituada a levar uma vida recatada em Portugal, mas tem de se habituar à luxúria e extravagância da corte da Borgonha, na altura a mais opulenta da Europa.

Filipe o Bom dá-lhe toda a liberdade, mas não lhe é fiel, presenteando-a com sumptuosas ofertas para que ela lhe perdoe os devaneios amorosos que tem com outras damas.

Os dois primeiros filhos do casal morrem pouco depois de terem nascido, levando D. Isabel a acreditar que tal se ficara a dever ao facto de terem sido alimentados por amas-de-leite, pelo que decide ser ela própria a amamentar o terceiro rebento, que mais tarde será conhecido por Carlos, o Temerário.

Apesar da infidelidade do marido, existia, entre ambos, uma sólida amizade, tendo o duque deixado que ela o substituísse em diversos assuntos de Estado, nomeadamente os de caráter diplomático, por ela exercidos com elevada sapiência graças à sua requintada cultura e superior inteligência. Aos poucos, ela passa a influenciar de forma significativa as decisões tomadas não só pelo duque como pelo filho de ambos, tornando-se a verdadeira governante da Borgonha, ganhando o respeito e a admiração dos que com ela contatavam, sendo apelidada de A Grande Dama ou A Grande Senhora.

Nunca esqueceu as suas origens, tendo ajudado comerciantes portugueses com lojas em Bruges e levado inúmeros flamengos a estabelecerem-se, a partir de 1449, nos Açores.

Quando o seu irmão, o infante D. Pedro, morre na batalha de Alfarrobeira, D. Isabel envia a Portugal Jean Jouffroy, para, na sua qualidade de embaixador especial, protestar junto do seu sobrinho D. Afonso V, pelo tratamento ignóbil que este havia dado aos restos mortais do seu tio, assim como contra a perda de bens e direitos dos filhos deste.

Em 1450, no seguimento destas diligências, D. Isabel recebe, na sua corte, os sobrinhos Jaime, João e Beatriz, filhos do seu irmão D. Pedro, procurando que os mesmos pudessem vir a ter um futuro condigno. Assim:

D. Isabel procede a diversos atos de âmbito sentimental e cultural em Portugal, nomeadamente os seguintes:

Participa, ainda, em Florença, no financiamento das obras da capela onde se encontra o túmulo do seu sobrinho, o cardeal D. Jaime.

Aos 60 anos de idade, retira-se para um convento-hospital que tinha fundado, passando a tratar doentes e a auxiliar pobres.

Volta a Bruges para cuidar do marido, quando este adoece, e ajuda o filho Carlos a fazer as pazes com o pai, com quem estava desentendido.

Quando fica viúva, passa a presidir ao conselho de estado, usando o traje das freiras da Ordem de S. Francisco de Assis.

A historiadora francesa Monique Sommé, no seu livro Vie itinérante et résidences d'Isabelle de Portugal, duchesse de Bourgogne (1430-1471), cuja leitura aconselhamos, refere que Isabel teria morrido a 17 de dezembro de 1471, em Aire-sur-la-Lys. Esta localidade, antigamente denominada Aire en Artois, fica situada na região de Pas-de-Calais, tendo passado a pertencer à França desde o Tratado de Utrecht de 1713.

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