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EFEMÉRIDES

Aconteceu a 4 de março de 1394



Nascimento do Infante D. Henrique, impulsionador dos Descobrimentos Portugueses

A 4 de março de 1394, nasce, no Porto, o Infante Dom Henrique de Avis, 1.º duque de Viseu e 1.º senhor da Covilhã.

Fez parte da denominada Ínclita Geração, constituída pelos cinco filhos de D. João I que chegaram à idade adulta, notabilizando-se, cada um deles, por um elevado grau de sabedoria mercê da educação que a sua mãe, Dona Filipa de Lencastre, procurou ministrar-lhes:

Em 1414, D. Henrique convence o pai a conquistar Ceuta, no norte de África, cidade muito importante para o controlo das rotas comerciais marítimas entre o oceano Atlântico e o levante. A cidade viria a cair nas mãos dos portugueses no ano seguinte, tendo D. Henrique sido armado cavaleiro no local e recebido os títulos de Senhor da Covilhã e duque de Viseu. Em 1416, ser-lhe-ia entregue o governo desta praça-forte africana.

Em 1418, acompanhado do seu irmão D. João, D. Henrique levanta um cerco que os muçulmanos haviam imposto à cidade de Ceuta, na tentativa de a reconquistarem.

No ano seguinte, D. Henrique já era detentor de uma armada que protegia os interesses de Portugal na navegação do estreito de Gibraltar. Alguns dos marinheiros desses barcos seriam, mais tarde, utilizados por este nas navegações atlânticas.

A administração das vastas riquezas patrimoniais da Ordem de Cristo, herdeira da Ordem dos Templários, é, em 1420, entregue a D. Henrique que as utiliza na fundação de uma Escola Náutica em Sagres2 dedicada ao desenvolvimento das artes de navegação e na construção dos navios que seriam usados na exploração do oceano Atlântico.

O arquipélago da Madeira já seria conhecido dos portugueses desde o século XIV mas a sua posse efetiva só é realizada entre 1419 e 1420, por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, homens de confiança de D. Henrique. Portugal sofria, nessa época, de uma grande falta de cereais. O seu cultivo nestas ilhas ajudou a combater a fome que grassava entre os continentais.

Em 1427, os seus navegadores descobrem as primeiras ilhas dos Açores, na altura desabitadas, que são povoadas por portugueses.

O rei D. Duarte I, que entretanto recebera, em 1433, o trono de Portugal por morte do seu pai D. João I, doa ao seu irmão D. Henrique o Arquipélago dos Açores.

Os europeus apenas conheciam a costa do norte de África até ao cabo Bojador. Gil Eanes ultrapassa-o em 1434.

Nesta época, surgem as Caravelas, embarcações que haveriam de desempenhar um papel decisivo nas futuras navegações.

Em 1437, forças militares portuguesas tentam conquistar Tânger, mas são derrotadas por um numeroso exército chefiado pelo vizir Abu Zacarias Iáia Aluatassi de Fez, chamado a socorrer esta praça-forte do norte de África.

Para evitar a destruição total da força militar portuguesa, D. Henrique negoceia um tratado que previa a devolução da praça-forte de Ceuta a Marrocos, deixando o seu irmão D. Fernando cativo como garantia deste compromisso.

Infelizmente, Portugal nunca restituiu Ceuta, acabando D. Fernando por morrer em Fez, após ter suportado sucessivos maus tratos. Por este estoico comportamento, foi considerado Santo.

Em 1441, Nuno Tristão e Antão Gonçalves atingem o cabo Bojador. A Baía de Arguim é alcançada em 1443, tendo, no local, sido construída uma feitoria em 1448.

Dinis Dias navega até à foz do rio Senegal e dobra o cabo Verde em 1444.

Em 1452, chegava tanto ouro da costa africana a Portugal que foram cunhados os primeiros cruzados nesse metal.

Na década de 1450, os navegadores portugueses descobrem o arquipélago de Cabo Verde.

Passados mais dez anos, aquando da morte do Infante D. Henrique, ocorrida em Sagres, a 13 de novembro de 1460, a costa africana estava já explorada até à região onde hoje se situa a Serra Leoa.

Os restos mortais do Infante Dom Henrique encontram-se sepultados no Mosteiro da Batalha, panteão da dinastia de Avis.

Notas

1 A chegada dos portugueses a novos territórios ultramarinos constituiu, do ponto de vista dos europeus, uma “descoberta”, na medida em que estes desconheciam a existência daquelas regiões.

2 Alguns historiadores consideram que não existiu uma Escola Náutica em Sagres.

É inconcebível pensar que os navegadores partiram para as viagens marítimas “por mares nunca dantes navegados” sem primeiramente se terem reunido naquele promontório ou em qualquer outro lugar para projetar essas viagens. É também inconcebível que o Infante D. Henrique não tenha recolhido todo o conhecimento náutico existente na sua época, disponibilizando esses dados aos seus navegadores. Talvez, na verdade, essas reuniões não tivessem constituído uma Escola Náutica formal, mas funcionaram como tal.

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