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EFEMÉRIDES

Aconteceu a 20 de março de 1816



Morte de D. Maria I de Portugal

Primeira rainha reinante de Portugal, filha do rei D. José I e de Dona Mariana Vitória de Bourbon, de seu nome completo Maria da Glória Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, foi a mais velha de quatro irmãs.

Muito religiosa e pouco atrativa, teve uma infância despreocupada dado a mãe ser uma espanhola amante do ar livre, de música e de conviver.

Maria Francisca casou com o tio D. Pedro e tiveram vários filhos tendo apenas sobrevivido D. José, D. João (mais tarde rei, com o título de D. João VI) e D. Mariana.

O seu reinado, depois de vinte anos com o pai no trono e com a pesada influência do Marquês de Pombal, não foi fácil.

A nova rainha deu ordem para que se soltassem todos os presos políticos (mais de oitocentos) e, com uma personalidade fraca e piedosa, não teve uma ação governativa marcante. Porém, o seu reinado viu realizarem-se obras de vulto como a Academia das Ciências, a Real Academia da Marinha, a Real Biblioteca Pública de Lisboa (mais tarde Biblioteca Nacional, quando mudou para Entre Campos), entre outras.

A rainha, muito ligada aos problemas dos mais desprotegidos, reabriu as audiências populares, interrompidas no tempo do pai.

Era respeitada e amada e o marido esteve sempre do seu lado. Foi ele quem mandou construir o palácio de Queluz onde viveram e, quando este morreu, em 1786, logo seguido do filho e herdeiro do trono, D. José, em 1788, deixaram a rainha num estado que a levaria a manifestações de loucura.

A ela se deve a edificação da Basílica da Estrela, riquíssima de esculturas e recheio, que merece uma demorada visita.

Com a partida para o Brasil, em 1807, devido à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão, as manifestações de loucura foram-se agudizando. Nem os mais famosos médicos do estrangeiro a curaram. De referir que a loucura era também hereditária em D. Maria I.

Faleceu, no Rio de Janeiro, a 20 de março de 1816, aos oitenta e um anos.

Os brasileiros não souberam que D. Maria I quis diminuir a pena de morte para prisão perpétua a Tiradentes, que assim foi executado, como eram os usos do tempo. Hoje é, muito justamente, um herói nacional.

Texto de Luísa Viana Paiva Boleo

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O Leme recomenda a leitura do livro de Luísa Viana Paiva Boleo D. Maria I, a Rainha Louca:

D. Maria I, a Rainha Louca

D. Maria I, a Rainha Louca, traça-nos um retrato completo e inédito desta mulher aclamada rainha a 13 de Maio de 1777, com 43 anos de idade.

Mulher culta, promoveu as artes e as ciências. Devota e caridosa, mandou edificar a Basílica da Estrela e levou a sério as suas funções de governante sempre em nome dos seus súbditos e dos interesses de Portugal.

Nascida a 17 de Dezembro de 1734, ficou para a História como D. Maria I, a Rainha Louca.

Na sua conturbada vida, viveu o horror da destruição do terrível terramoto que abalou a capital em 1755, viu o seu pai, D. José I, sofrer um atentado, assistiu à execução de alguns nobres que foram acusados de conspiração, sofreu atormentada a pressão e a crueldade do marquês de Pombal, homem de confiança de seu pai, mas teve forças para o confrontar e afastar do poder.

Em pouco mais de dois anos, viu morrer o seu querido marido, D. Pedro III, o filho primogénito e herdeiro da coroa, a sua filha e o genro espanhol e o seu confessor Frei Inácio de São Caetano.

Estes acontecimentos, aliados aos tempos conturbados que se viviam na Europa, graças à Revolução Francesa, marcaram de forma dramática a vida de D. Maria I e foram-lhe roubando a paz de espírito e a sanidade mental.

Em 1792, considerada incapaz de governar por sofrer de doença mental, vê-se afastada do poder, dando lugar ao seu filho, D. João VI. Com ele embarca para o Brasil sob a ameaça das invasões francesas.

É em terras de Vera Cruz que morre, em 1816.

[Edição Esfera dos Livros]

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