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Aconteceu a 28 de junho de 1927



Egas Moniz realiza, com êxito, a primeira angiografia cerebral num paciente vivo

A 28 de junho de 1927, o médico português Egas Moniz realiza a primeira angiografia cerebral bem sucedida num paciente vivo.

A angiografia consiste na radiografia dos vasos sanguíneos tornados visíveis pela injeção de substâncias opacas aos raios X.

António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, que se tornaria um prestigiado médico, neurocirurgião, pesquisador, professor, político e escritor português, nasceu, a 29 de novembro de 1874, em Estarreja, Avanca, Vilarinho do Bairro.

Como político, Egas Moniz foi fundador do Partido Republicano Centrista. Durante o regime de Sidónio Pais foi embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918).

Como escritor, foi autor, entre outras obras de A nossa casa, Confidências de um investigador científico e Júlio Dinis e a sua obra (1924), constituindo esta última um ensaio de crítica literária. Egas Moniz também escreveu sobre pintura, tendo reunido uma coleção de pintura naturalista atualmente patente ao público na Casa-Museu Egas Moniz, em Estarreja.

Foi, porém, como neurocirurgião que obteve o seu maior sucesso, partilhando, a 27 de outubro de 1949, o Prémio Nobel da Medicina com Walter Hess (1881-1973), pela "sua descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses".

A leucotomia (ou lobotomia) é uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo (estrutura localizada no diencéfalo, entre o córtex cerebral e o mesencéfalo) e outras vias frontais associadas.

Esta técnica, utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia, tornava os pacientes mais dóceis, passivos e fáceis de controlar e, muitas vezes, menos inteligentes.

Egas Moniz sempre defendeu o seu uso apenas em casos graves em que houvesse riscos de violência ou suicídio.

Atualmente a leucotomia tal como exemplificada por Egas Moniz já não é praticada devido aos efeitos secundários severos. No entanto, ainda hoje se praticam raramente técnicas diretamente descendentes da leucotomia original, em alguns casos de dor crónica intratável (tratamento paliativo), neurose obsessiva, ansiedade crónica ou depressão profunda prolongada.

Em 1989 o governo de Portugal homenageou o Dr. Egas Moniz com uma nota comemorativa de 10 000 escudos.