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Aconteceu a 28 de agosto de 1481



Morte de Afonso V de Portugal

A 28 de agosto de 1481, morre, em Sintra, Afonso V de Portugal.

Havia nascido, na mesma vila, a 15 de janeiro de 1432.

Era o filho mais velho do rei Duarte I e de sua esposa Leonor de Aragão, tendo ascendido ao trono de Portugal a 13 de setembro de 1438, quatro dias após o falecimento do seu pai.

Regência do Reino

Como o novo rei tinha, na altura, apenas 6 anos de idade, a regência fica assegurada pela sua mãe, de acordo com a vontade expressa por D. Duarte no seu testamento. No entanto, essa regência não agradou aos seus contemporâneos não apenas por ser exercida por uma mulher, mas sobretudo por se tratar de uma estrangeira. Assim, em 1439, as Cortes decidem retirar a regência a Leonor e entregá-la a D. Pedro, tio de D. Afonso.

Durante a sua regência, D. Pedro limita o poder que as grandes casas aristocráticas exerciam nos destinos do reino e, segundo o historiador José Saraiva, é dada como concluída a revisão da legislação conhecida como Ordenações Afonsinas.

Primeiros atos de D. Afonso V após assumir a governação

Quando, em 1448, D. Afonso V assume a governação, é aconselhado por seu tio bastardo Afonso, Duque de Bragança, pelo Conde de Ourém e pelo arcebispo de Lisboa, a afastar o seu tio do governo do reino, sob a alegação de que este era um traidor. Ao tomar conhecimento da vontade do rei, D. Pedro abandona a corte, alegando necessitar de administrar as terras de que era detentor na casa ducal de Coimbra.

Apesar de D. Pedro ter tentado conciliar-se com o seu sobrinho, as intrigas da Corte não permitiram que pudesse defender-se das calúnias.

O litígio existente entre D. Afonso V e D. Pedro acaba por dar origem a um confronto entre as forças leais a ambas as fações, o qual ocorre a 20 de maio de 1449, junto da ribeira do lugar de Alfarrobeira, em Vialonga, perto de Alverca. D. Pedro é vencido nesta batalha, perdendo a vida.

Alfarrobeira representa o triunfo do poder das grandes casas aristocráticas sobre a tentativa de centralização régia que havia sido incentivada, durante a regência, por D. Pedro.

Expansão do Reino para África

Após a batalha de Alfarrobeira, D. Afonso IV retoma a expansão do reino para África, tarefa que já havia sido iniciada no tempo do seu avô D. João I com a conquista de Ceuta.

O seu exército conquistou diversas praças no norte de África, o que lhe valeu o cognome de O Africano:

Com estas conquistas, Tanger e Larache, acabam por ficar nas mãos dos portugueses.

Guerra de sucessão de Castela

Entre 1475 e 1479, ocorre a Guerra de Sucessão de Castela, também conhecida por Guerra da Beltraneja.

Neste conflito intervieram os partidários de Joana, alegadamente filha do falecido monarca Henrique IV de Castela e os apoiantes de Isabel, meia-irmã do falecido rei.

Joana estava casada com D. Afonso V de Portugal, pelo que este se considerava com direito ao trono de Castela.

Isabel, por seu lado, estava casada com D. Fernando, herdeiro da Coroa de Aragão, pelo que este se apresentou, igualmente, como pretendente ao trono.

Os partidários de Isabel de Castela alegavam que o falecido rei era impotente, pelo que Joana não poderia ser sua filha, apresentando Beltrán de La Cueva, pajem na corte castelhana, como seu progenitor. Daí que fosse apelidada de “a Beltraneja". Esta circunstância, a ser verdadeira, impediria que Joana fosse a herdeira do trono.

A França apoiou Portugal nesta contenda, para evitar o triunfo de Aragão, seu rival na Itália.

Ambas as forças se defrontam na Batalha de Toro. Embora Portugal tenha vencido esta peleja, os castelhanos refugiam-se nas muralhas de Zamora. D. João V permanece no campo de batalha durante alguns dias, aguardando o inimigo. Este não volta a aparecer e, como Portugal não possuía forças suficientes para atacar Zamora, teve de se retirar.

Isabel sobe ao trono de Castela e, mais tarde, é estabelecida a paz entre ambos os reinos através do tratado de Alcáçovas-Toledo.

Este tratado é assinado em Alcáçovas, a 4 de setembro de 1479, pelos representantes dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, por um lado, e o rei Afonso V de Portugal e seu filho João pelo outro.

O rei de Portugal ratifica este tratado quatro dias depois. Os Reis Católicos apenas o fazem a 6 de março de 1480, na cidade de Toledo, originando que ficasse conhecido como Tratado de Alcáçovas-Toledo.

O Tratado, para além de pôr um fim na guerra de sucessão de Castela, contém, também, cláusulas sobre o domínio do Oceano Atlântico por ambos os países: Espanha reconhece o domínio de Portugal sobre a ilha da Madeira, o Arquipélago dos Açores, o arquipélago de Cabo Verde e a costa da Guiné, enquanto Castela fica com as ilhas Canárias, exploradas por Diego Garcia de Herrera em 1476 e renuncia a navegar para Sul do cabo Bojador.

Abdicação de D. Afonso V a favor do seu filho

Após ter assinado este tratado, D. Afonso V retira-se para o convento de Varatojo em Torres Vedras, abdicando do trono a favor do seu filho herdeiro, futuro D. João II de Portugal.

Jaz no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.




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