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Efemérides do dia 8 de novembro



Inauguração do Cineteatro Monumental

A 8 de novembro de 1951, é inaugurado o Cineteatro Monumental, na Praça Duque de Saldanha, em Lisboa.

Concebido pelo Arquiteto Raul Rodrigues Lima (1909-1980), correspondia, nos seus traços gerais, à estética modernista do Estado Novo.

Tanto a sala de cinema como a do teatro podiam albergar mais de 1000 espetadores.

Foi decorado com imponentes lustres, vetustos cortinados de veludo e sumptuosos lambris (painéis de madeira). Luxuosos móveis e maples ornamentavam os diversos salões.

O Monumental foi arrendado pelo empresário Vasco Morgado que se propôs apresentar ali espetáculos de teatro declamado, operetas, revistas e atrações musicais.

Foi nessa sala de teatro que Laura Alves, esposa deste empresário, protagonizou os maiores êxitos da sua carreira teatral, desde As três Valsas, a sua primeira peça neste teatro até Pai precisa-se (a sua última peça, em 1982), passando pelo grande êxito A Flor do Cato (1967).

O Monumental exibiu os maiores êxitos cinematográficos, entre os quais se poderão destacar E tudo o Vento Levou (1939), Os Dez Mandamentos (1956), Ben-Hur(1959), Spartacus (1960), West Side Story (1961), Lawrence de Arábia (1962), Cleopatra (1963), My Fair Lady (1964), Doutor Jivago”(1965), 2001: Odisseia no Espaço (1968), Um Violino no Telhado (1971) e Star Wars (1988). [O ano refere-se à data da realização dos filmes].

Foi pioneiro nas novas tecnologias que iam sendo postas ao serviço do cinema: em 26 de Junho de 1953 apresentou, pela primeira vez aos portugueses, um filme em três dimensões: O homem sem cérebro (The dark man) e foi a primeira sala de espetáculos a ter um ecrã gigante, o Todd-AO.

As passagens de ano nos seus salões, com bailes e visualização de filmes até altas horas da madrugada, fazem parte de todo um conjunto de eventos que marcaram uma época.

Talvez o mais significativo evento para os jovens desse tempo terá ocorrido a 13 de março de 1964: milhares de rapazes e raparigas aguardavam, junto à entrada do Teatro Monumental, a chegada da cançonetista pop francesa Sylvie Vartan, na altura com 19 anos de idade, a fim de poder ouvi-la a cantar, entre outras músicas, a canção Si je chante.

A 28 de Novembro de 1983, no lado poente da Praça Duque de Saldanha, em Lisboa, começam a ser abertos buracos no alcatrão, junto ao lancil do passeio, a fim de instalar os pilares de uma vedação. É o primeiro sinal exterior de uma demolição que se aproxima: a do Cineteatro Monumental.

Fonte 1: Diário de Lisboa n.º 10395, de 08-11-1951, Ano 31º, p. 2 (Inauguração do Cineteatro Monumental)
Fonte 2: Diário de Lisboa n.º 10978, de 26-06-1953, Ano 33º, p. 5 (Cinema em relevo no Cineteatro Monumental)
Fonte 3: Diário Popular nº 7692 de 13-03-1964, Ano 22º, anúncio, p. 6 (Anúncio da atuacão de Sylvie Vartan)
Fonte 4: Diário Popular nº 7693 de 14-03-1964, Ano 22º, p. 7 (Artigo sobre a visita de Sylvie Vartan a Portugal)
Fonte 5: Diário Popular n.º 14237, de 28-11-1983, Ano 42º, p. 11 (Artigo sobre o início da demolição)

Cardeal Cerejeira determina o afastamento de Felicidade Alves das funçóes de páraco de Santa Maria de Belém

A 8 de Novembro de 1968, a comunicação social divulga o afastamento, decidido pelo Cardeal Cerejeira, do padre Felicidade Alves das suas funções de pároco de Santa Maria de Belém e de S. Francisco Xavier, em muito devido à sua exposição "Perspetivas atuais de transformação nas estruturas da Igreja".

José da Felicidade Alves nasceu em 11 de Março de 1925 em Vale da Quinta, freguesia de Salir de Matos, Caldas da Rainha.

Em 1948, foi ordenado sacerdote, sendo colocado como professor no Seminário de Almada, e depois no dos Olivais.

Em 1956, foi nomeado pároco de Santa Maria de Belém, em Lisboa, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas incómodos ao poder político e ao eclesiástico como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais.

Solidário com o grupo de católicos mais progressistas, o percurso de Felicidade Alves ficou definitivamente marcado após a comunicação que proferiu ao Conselho Paroquial de Belém, em 19 de Abril de 1968, na presença de várias dezenas de pessoas. Sob o tema "Perspetivas atuais de transformação nas estruturas da Igreja", a comunicação de Felicidade Alves punha em causa a forma como a Igreja se apresentava à sociedade, a sua organização, e mesmo a maneira como eram transmitidos os ensinamentos cristãos e a abordagem da própria figura de Deus.

Defendendo uma profunda renovação da Igreja e das suas estruturas, as ideias de Felicidade Alves desagradaram ao cardeal Cerejeira. Em consequência, foi-lhe por este movido um longo processo que determinou, em 8 de Novembro de 1968, o afastamento das suas funções de pároco em Santa Maria de Belém, e, mais tarde, a suspensão das suas funções sacerdotais, terminando, em 1970, com a sua excomunhão.

Após o afastamento da paróquia de Belém, Felicidade Alves continuou a abordar criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial, acabando por ser preso pela PIDE por “actividades contrárias à segurança do Estado”.

Em 10 de Junho de 1994, foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade, pelo então Presidente da República Mário Soares.

Faleceu no dia 14 de Dezembro de 1998, com 73 anos.

Fonte 1: Diário de Lisboa n.º 16484, de 08-11-1968, Ano 48º, pp. 1 e 16
Fonte 2: Perspetivas atuais de transformação nas estruturas da Igreja
Fonte 3: Fundação Mário Soares, Nota biográfica de José da Felicidade Alves