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Efemérides do dia 1 de dezembro



Restauração da Independência de Portugal

A morte de D. Sebastião, em Alcácer Quibir, sem deixar descendência e outros motivos de natureza vária que não cabem neste pequeno resumo contribuiram para a perda da Independência de Portugal.

Sem um sucessor directo, a coroa passou para Filipe II de Espanha. Este, aquando da tomada de posse, nas cortes de Leiria, em 1580, prometeu zelar pelos interesses do País, respeitando as leis, os usos e os costumes nacionais.

Com o passar do tempo, essas promessas foram sendo desrespeitadas, os cidadãos nacionais foram perdendo privilégios e passaram a uma situação de subalternidade em relação a Espanha.

Esta situação leva a que se organize um movimento conspirador para a recuperação da independência, onde estão presentes elementos do clero e da nobreza.

A 1 de dezembro de 1640, um grupo de 40 fidalgos introduz-se no Paço da Ribeira, onde reside a Duquesa de Mântua, representante da coroa espanhola, mata o seu secretário Miguel de Vasconcelos e vem à janela proclamar D. João, Duque de Bragança, rei de Portugal.

Termina, assim, 60 anos de domínio espanhol sobre Portugal.

A revolução de Lisboa foi recebida com júbilo em todo o País. Restava, agora, defender as fronteiras de Portugal de uma provável retaliação espanhola. Para o efeito, foram mandados alistar todos os homens dos 16 aos 60 anos e fundidas novas peças de artilharia.

Pedro I é coroado Imperador do Brasil

O príncipe regente D. Pedro vinha desenvolvendo uma luta com as Cortes portuguesas no sentido de autonomizar o Brasil.

Em maio de 1822, essa luta agudiza-se: D. Pedro determina que qualquer decreto das Cortes só poderia ser executado se ele próprio exarasse um “Cumpra-se”. Isto equivalia, na prática, a conferir ao Brasil uma soberania plena.

A 13 de maio, o Senado do Rio de Janeiro concede ao príncipe regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil.

As Cortes exigem o seu regresso imediato a Portugal e ameaçam enviar tropas para o Brasil.

D. Pedro recebe esta exigência das Cortes a 7 de setembro de 1822, quando se encontrava perto do Riacho de Ipiranga. De imediato, proclama a independência do Brasil, sendo aclamado imperador a 12 de outubro e coroado a 1 de dezembro.

Censo populacional de 1900 parodiado

A 1 de dezembro de 1900, realiza-se, em Portugal, um censo populacional.

O jornal humorístico A Paródia do dia 5 de dezembro de 1900 satiriza o boletim de recenseamento da população que vinha sendo profusamente distribuído pelas casas de todos os habitantes do reino.

O humorista achou certamente estranho certas perguntas formuladas naquele boletim como «se dormiu em casa no dia 30 de novembro» e «se tinha hóspedes no dia 1 de dezembro».

É evidente que só sabendo onde cada um estava na noite de 30 de novembro para 1 de dezembro se poderia fazer uma contagem precisa da população.

No entanto, A Paródia considerou que, perante tais perguntas, também teria o direito de distribuir pelos fogos dos seus leitores e leitoras um boletim onde constassem, entre outras, as seguintes questões:

«A que sexo pertence, masculino ou feminino? Está contente com a sua sorte?

Não desejaria pertencer ao outro? É solteiro? Caiu na asneira de casar? Ou tem a felicidade de ser viúvo?»

«Quantos anos tem além do que nós sabemos?»

Numa altura em que bater nas mulheres do agregado familiar não era considerado um crime grave, aquele jornal propõe, ainda, perguntar no seu boletim estatístico:

«Tem sogra? Já lhe partiu a cara? Quantas vezes?».

Fonte: A Paródia n.º 47, de 5 de dezembro de 1900, p. 3
Documentos: Censo da população do reino de Portugal no 1.º de dezembro de 1900, Volume I