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EFEMÉRIDES

Aconteceu a 17 de dezembro de 1905



Nascimento de Érico Veríssimo

A 17 de dezembro de 1905, nasce, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, o escritor brasileiro Érico Lopes Veríssimo.

Veríssimo era filho de Sebastião Veríssimo, um farmacêutico não que soube manter o património da família e de Abegahy Lopes, uma dona de casa que tudo fez para o levar aos melhores médicos quando este, aos quatro anos de idade, sofre uma meningite complicada com broncopneumonia.

Estuda no colégio Venâncio Aires, demonstrando já uma certa inclinação para a escrita, tendo criado, aos dez anos de idade, um caderno com notas e desenhos, a imitar uma revista, a que atribuiu o nome de Caricatura.

Com 13 anos de idade, ingressa, em Porto Alegre, como aluno interno, num estabelecimento de ensino de orientação protestante: o Colégio Cruzeiro do Sul, atual Colégio IPA.

Por essa altura, já lia consagrados autores como Zola, Dostoiévski e Walter Scott.

Em 1922, quando já havia acabado, com distinção, os seus estudos (embora avesso à matemática), os seus pais separam-se por absoluta incompatibilidade: à seriedade e contenção económica de sua mãe, opunha-se a vida levada pelo seu pai, sem qualquer tipo de controlo nas despesas e repleto de aventuras amorosas, que o obrigam a vender a farmácia para poder pagar uma parte das dívidas.

Érico passa a viver com os avós, empregando-se inicialmente como balconista e, mais tarde, como empregado bancário, colmatando os seus proventos com trabalhos de transcrição para inglês de obras de Machado de Assis e de Euclides da Cunha, entre outros.

Em 1926, Érico Veríssimo e um amigo do seu pai associam-se para gerir a Farmácia Central, negócio que correu mal, deixando-lhe uma dívida que apenas conseguiu liquidar volvidos 17 anos.

Nessa época, para além de trabalhar na farmácia, Veríssino era, igualmente, professor de literatura e de língua inglesa.

Em 1929, fica noivo da sua futura esposa, Mafalda Halfen Volpe. Nesse mesmo ano, são publicados os seus primeiros textos: Chico: um Conto de Natal, no magazine mensal Cruz Alta em Revista e A Lâmpada Mágica, no jornal Correio do Povo.

Em 1930, é contratado como secretário de redação da Revista do Globo.

Casa-se com Mafalda em 1931, passando ambos a viver em Porto Alegre.

Por esta época, para melhorar a sua situação financeira, inicia a tradução para português de diversos textos de autores internacionais, começando pela obra de Edgar Wallace The Ringer (O Sineiro).

Em 1932, é promovido a diretor da Revista do Globo, tendo publicado uma coleção de contos a que atribui o nome de Fantoches, já que os mesmos eram maioritariamente pequenas peças de teatro.

Em 1933, Veríssimo, para além de ter traduzido para português o livro Point Counter Point (Contraponto), publica o seu primeiro romance: Clarissa.

Dois anos mais tarde, surge o seu segundo livro, Caminhos Cruzados, cuja temática, para além de não agradar à Igreja Católica, é considerada inapropriada pelo Departamento de Ordem Pública.

Em 1936, Érico Veríssimo publica mais dois romances: Música ao Longe (Prémio Machado de Assis) e Um Lugar ao Sol.. Nesse mesmo ano, cria, na Rádio Farroupilha, o programa infantil O Clube dos Três Porquinhos.

1938 pode ser considerado o ano charneira de Érico Veríssimo: publica Olhai os Lírios do Campo, obra que já foi traduzida na maioria das línguas do mundo, permitindo-lhe, nas suas próprias palavras, «fazer profissão da literatura».

Até ao fim da sua vida (morre em Porto Alegre, a 28 de novembro de 1975, vitimado por um infarte [infartoPT-BR] do miocárdio.) escreveu, ainda: Saga (1940), O resto é silêncio (1943), O Tempo e o vento [constituído por três partes: O continente (1949), O retrato (1951) e O arquipélago (1962)], O senhor embaixador (1965), O prisioneiro (1967) e Incidente em Antares (1971), para além da novela A Noite, ensaios, narrativas de viagens, literatura infanto-juvenil e autobiografias.

Várias obras suas foram adaptadas ao cinema e à televisão. Entre elas destacamos a minissérie da TV Globo Incidente em Antares (1994), com direção de Paulo José e a participação, entre outros, dos atores Fernanda Montenegro e Paulo Betti e o filme O Tempo e o Vento (2013), com direção de Jayme Monjardim, estrelado por Thiago Lacerda, Cléo Pires, Marjorie Estiano e Fernanda Montenegro.

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