Início Medicina

MEDICINA
epidemias



Principais epidemias que assolaram, nos últimos 2 000 anos, a região onde se situa Portugal

Ao longo dos séculos, a região onde hoje se situa Portugal foi assolada por inúmeras epidemias. O Leme referencia, neste artigo, as principais doenças infecciosas aqui ocorridas.


O anjo da morte indo até a porta de Roma, por Jules-Élie Delaunay

Período e abrangência:

Teve o seu início no ano de 165, atingiu Roma em 166 e espalhou-se, até 180, por todo o Império Romano.

Sintomas:

febre, erupções cutâneas e diarreia.

Mortalidade:

No seu auge, esta epidemia, considerando apenas a cidade de Roma, matava diariamente mais de 2000 pessoas, com uma taxa de mortalidade de 25% entre os infetados.

Estima-se que tanham morrido, em todo o Império Romanao, 5 milhões de pessoas, apresentando, em algumas áreas, uma taxa de mortalidade na ordem dos 30%.

Figuras históricas que faleceram (provavelmente) devido a esta epidemia:

Imperadores romanos Lúcio Vero (169) e Marco Aurélio (180).

Fontes históricas:

Período e abrangência:

Ocorreu de 250 a 266, prolongando-se em certos locais do Império Romano até 270.

Local de origem:

Segundo alguns autores clássicos, esta epidemia teve a sua origem na Etiópia.

Sintomas:

Olhos vermelhos, garganta inflamada, gangrena dos pés, diarreia e vómitos contínuos, seguidos de perda da audição e cegueira. Algumas fontes apontam que os infetados sentiam febre forte e sede insaciável.

Mortalidade:

No seu auge, a Peste de Cipriano matava diariamente, só na cidade de Roma, 5000 pessoas.

Algumas figuras históricas que faleceram (provavelmente) devido a esta epidemia:

Hostiliano (251), coimperador de Treboniano Galo.

Fontes históricas:


Fragmento de "El Triunfo De La Muerte" (Pieter Brueghel el Viejo, 1562), por Jules-Élie Delaunay

Origem do Nome:

O nome desta peste advém do facto de causar manchas negras na pele dos enfermos.

Período e abrangência:

O pico desta doença ocorreu entre 1347 e 1351. Abrangeu a Europa, Ásia e Norte da África, tendo surgido em Portugal no ano de 1348.

Local de origem:

Crê-se que tenha tido a sua origem na Ásia Central ou na Ásia Oriental, de onde teria sido trazida para a Europa por comerciantes genoveses, através da Rota da Rota da Seda.

Sintomas:

Os seus principais sintomas são: febre acima de 38º C, arrepios constantes, dores de cabeça muito intensa, cansaço excessivo e ínguas (gânglios linfáticos) muito inchadas e doloridas.<(P>

Mortalidade:

Esta doença contagiosa, transmitida através de piolhos e pulgas presentes na roupa, nas casas e em todos os elementos da vida medieval, causou entre 75 a 200 milhões de vítimas, o equivalente a 30-60% da população europeia.

Algumas figuras históricas portuguesas que viveram durante esta epidemia:

D. Afonso IV, rei de Portugal, D. Pedro I e D. Inês de Castro.

Fontes históricas:

Chonica de ElRei Dom Afonso o Quarto, Rui de Pina (1440-1522).

* * *

Do século XV ao século XVIII, Portugal sofreu, com regularidade, surtos talvez não tão intensos como a Peste Negra do século XIII, mas, mesmo assim, provocando um número elevado de vítimas. Por exemplo, a rainha D. Filipa de Lencastre, esposa de D. João I e mãe da Ínclita Geração, faleceu a 19 de julho de 1415, vitimada pela peste bubónica.


Quadro de Pavel Fedotov mostrando uma morte por cólera em meados do século XIX

Durante o século XIX, Portugal foi atingido por inúmeras epidemias: além das sazonais gripes, gastrites e disenterias, foi assolado pela peste negra, febre amarela, varíola, tuberculose, sífilis, tifo, febre tifoide, malária, sarampo, difteria, tosse convulsa, meningite, hidrofobia (raiva) e cólera, provocando milhares de mortos.


Gripe Espanhola, Museum of Health and Medicine

Ocorreu de 1918 a 1920.

Foi a primeira grande epidemia a nível mundial, tendo morrido cerca de 100 milhões de pessoas.

Não se sabe em que local teve origem esta epidemia, mas conhece-se que ela resultou de uma mutação do vírus Influenza, tendo os primeiros casos sido registados nos Estados Unidos da América.

A gripe espanhola espalhou-se pelo mundo, em parte devido à movimentação de tropas ocorrida durante a Primeira Guerra Mundial, com um impacto direto nos países que participavam desse conflito.

Em Portugal, o número oficial de mortos rondou os 60 000.

* * *

Outros surtos ocorreram em Portugal durante o resto do século XX, nomeadamente a Gripe Asiática de 1958, que vitimou, segundo os jornais da época, 10 000 portugueses.

A existência de algumas leves melhorias na higiene da população e nos cuidados de saúde, coadjuvadas pela vacinação a que todas as crianças em idade escolar eram submetidas, aliviou, um pouco, a propagação de epidemias.

Situação em 5 de fevereiro de 2021:

Em Portugal

Infetados: 755 774, Mortos: 13 740.

Em todo o Mundo

Infetados: 105 006 686, Mortos: 2 287 129.

Considerações finais

As doenças contagiosas podem, no pior dos cenários, conduzir à extinção da Vida Humana.

Se pretendermos analisar o grau de gravidade do Covid 19 em relação às anteriores doenças, teremos de equacionar três fatores: Higiene, Sensibilização e Abrangência.

Se dividirmos a quantidade de vítimas mortais ocasionadas por cada uma das doenças contagiosas do passado pelo número total de habitantes que possivelmente o planeta teria na altura, a taxa de mortalidade global que obteríamos seria inferior àquela que o Covid-19 hoje apresenta, não obstante algumas delas terem dizimado entre 30 a 60% da população local.

Portanto, em termos de sobrevivência da espécie humana, só é possível comparar o grau de gravidade do Covid-19 com a Gripe Espanhola, a primeira que englobou a totalidade dos seres humanos, tendo a atual doença já ultrapassado aquela em número de vítimas, pelo que estamos em condições de afirmar que o Covid-19 está a tornar-se a mais grave pandemia de toda a História da Humanidade.

Nas últimas décadas, o conhecimento científico tem-se desenvolvido exponencialmente, existindo já várias vacinas para ajudar a debelar esta pandemia. Esperamos que elas constituam apenas o primeiro passo no sentido de cientistas de todas as áreas do conhecimento descobrirem, em conjunto, métodos cada vez mais eficientes de preservação da Vida Humana.




TOPO